Mercado brasileiro de games precisa de programadores, artistas 3d e designers

Com faturamento na faixa dos US$ 840 milhões (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) e crescimento médio anual em torno dos 7%, o mercado brasileiro de jogos eletrônicos desponta como um dos mais importantes do mundo.

Aquecido e com a projeção de se tornar o terceiro maior do mundo nos próximos anos (atrás apenas de Estados Unidos e Japão), o segmento tem grande oferta de vagas de designers e programadores, para trabalhar sobretudo no desenvolvimento de jogos destinados a redes sociais e plataformas móveis (smartphones e tablets). Profissionais de marketing também são altamente requisitados.

“Estou recrutando designers de 2d e de 3d, além de programadores. Tenho cerca de dez posições para preencher nos próximos projetos”, diz o coordenador de criação da produtora de games Hoplon, Arthur Nunes, que veio a São Paulo tentar recrutar profissionais na Brasil Game Show, maior feira de games na América Latina, que se realiza até hoje no Expo Center Norte.




Ele mesmo é exemplo de como o aumento do mercado nos últimos cinco anos tem atraído até profissionais de outras áreas. Formado em publicidade, Nunes foi trabalhar com cinema e se especializou em animação. Cerca de um ano atrás, recebeu o convite para coordenar a área de criação da Hoplon, maior empresa nacional do setor.

“Existe uma perspectiva muito grande de crescimento para o Brasil na área dos jogos casuais e o mercado vai contratar cada vez mais”, diz.

Projeções da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) dão suporte ao que diz Nunes. De acordo com a entidade, existem hoje no Brasil cerca de 200 estúdios de criação, que empregam cerca de 4 mil profissionais.

“Evoluímos muito, se considerarmos que em 2008 faturávamos apenas R$ 87 milhões. Baseado no crescimento que tivemos nos últimos anos, a tendência é de que este número de vagas dobre em pouco tempo”, estima o presidente da Abragames, Fred Vasconcelos. De acordo com ele, um profissional em início de carreira ganha em média R$ 3,5 mil. “Mas isso varia, há casos em que o salário é muito maior, dependendo da função”, diz.

A explosão dos jogos casuais para redes sociais e dispositivos móveis é que puxa a criação de oportunidades no setor. O designer de interface de jogos Leandro Novaes é a prova disso. Ainda no último ano de faculdade recebeu o convite para entrar na recém-fundada 2Mundos, empresa voltada ao desenvolvimento de jogos casuais, para o mercado brasileiro. “Acabei me descobrindo nesse mercado e quero explorar as oportunidades que se desenham para mim.”

Designers como Novaes, são alguns dos trabalhadores mais procurados, sobretudo os especializados em design 3D. A outra atividade que completa o pilar da criação dos games é a de programador, diz Vasconcelos, da Abragames. “É ele quem recebe o ‘roteiro’ criado pelos designers e coloca a ideia em prática.” De acordo com Vasconcelos, há escassez desses profissionais no Brasil. E os que se destacam por aqui, logo vão para fora. “Na minha empresa, a Jinx, já perdi 42 desses profissionais para o exterior”, conta.

Devido ao momento de crescimento, muitos desses trabalhadores acabam virando empreendedores, criando seus próprios jogos e buscando parcerias para lançá-los, como fez o programador José João de Oliveira Júnior. Ele montou sua própria empresa, a Overtime Studios, e lançou seu primeiro título para smartphones, ‘Sushi Bomb’. O objetivo agora, segundo ele, é conseguir parcerias para distribuir o game.

Fonte: Estadão